Biocombustível: Shell recua do território dos Guarani

Um Guarani-Kaiowá à frente da sua casa Damiana, uma Guarani-Kaiowá e líder religioso do Apyka'y, diante de uma cabana queimada depois da evicção forçada

21 de jun de 2012

Para a produção de combustível de etanol os índios Guarani foram expulsos de suas terras. Devido ao protesto internacional, a empresa retirou-se. Salve a Selva tinha coletado 16.415 assinaturas, que foram entregados a Shell

Etanol de cana-de-açúcar serve só para adoçar a vida de quem vendê-lo. Mas os índios Guarani sofrem um destino amargo: A empresa de biocombustível Raizen, fundada por Shell, planta desde 2010 cana-de-açúcar em suas terras. A planta é a principal matéria-prima para a fabricação de combustível de etanol, que é vendido na Alemanha como E10 nos postos de gasolina. Por causa disso os Guarani foram expulsos de suas terras e tenham que viver em acampamentos ao longo da estrada ou em reservas superlotadas. Os seus rios foram poluídos por agrotóxicos das plantações e há falta de água potável. Repetidamente são abusados dos plantadores como mão de obra barata, alguns dos seus líderes até  foram mortos por pistoleiros.

Devido ao protesto internacional, a empresa retirou-se agora do projeto. No futuro não vai mais adquirir cana-de-açúcar das terras que pertencem oficialmente as indígenas e planeja sempre consultar a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) antes de novos investimentos. Os Guarani saúdam a decisão.

Salve a Selva tinha coletado 16.415 assinaturas, que foram entregados a Shell. Assim apoiamos a campanha de Suvival International. Klaus Schenk, o nosso perito ambiental para engergía e florestas, explica: „Combustível feito de etanol não só arruina os índios, mas também a natureza e o clima. Para abrir espaço para plantações novas, as florestas tropicais são queimadas e destruídas.“