Camponeses brasileiros exclamam: não queremos árvores transgênicas

Eucaliptos em filas numa plantação industrial duma empresa de papel no Brasil Maximização dos lucros à custa dos homens e do meio ambiente: plantações industriais de eucalipto no Brasil (© Ivonete Gonçalves de Souza)
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Fim da petição: 6 de mai de 2015

Ambientalistas e agricultores brasileiros fazem soar o alarme. No Brasil, eucaliptos geneticamente modificados ameaçam homem e natureza. As árvores devem ser plantadas em enormes plantações industriais. Dentro em breve, o governo poderia dar luz verde. Por favor, ajude para que isto não aconteça

Apelo

Para: Governo brasileiro e ministérios

Árvores transgênicas não devem ser aprovadas: pioram ainda mais os graves impactos das plantações industriais sobre homem e natureza

Abrir a petição

Em 5 de Março, mil pequenos agricultores ocuparam o terreno da empresa FuturaGene no Estado de São Paulo. Eles manifestaram contra os planos de estabelecer plantações industriais com eucaliptos geneticamente modificados. Os manifestantes arrancaram milhares de árvores transgênicas que a empresa cultiva em estufas.

Ao mesmo tempo, 300 camponeses ocuparam o escritório da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) na capital Brasília. O instituto, que pertence ao Ministério da Investigação, decidirá dentro em breve se as árvores geneticamente modificadas podem ser plantadas.

Por causa da manifestação, uma reunião da comissão tinha que ser interrompida. As atividades estavam coordenadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e pela organização mundial dos pequenos agricultores, La Vía Campesina.

Nos monocultivos atuais o eucalipto cresce durante sete anos até que seja cortado, enquanto as árvores transgênicas só precisam de quatro anos. O crescimento mais rápido consumiria muito mais água. Agora já se precisam 25 até 30 litros por cada árvore por dia. “Por isso, fazemos soar o alarme contra estes desertos verdes e exigimos do governo que rejeite o pedido da FuturaGene“, diz a agricultora Catiane Cinelli.

Nos últimos anos, a FuturaGene, filial da empresa de papel Suzano, tem experimentado com eucaliptos transgênicos. Assim, agrava ainda mais os impactos das plantações industriais sobre a natureza e a população local.

No Brasil, os monocultivos de eucalipto já se estendem em cinco milhões de hectares. Não oferecem nenhum espaço vital para plantas e animais, consomem grandes quantidades de água e destroem os solos. Sobre tudo papéis higiénicos e de impressão são produzidos a partir de fibras de eucalipto e exportam-se para todo o mundo.

Por favor, apóiem a petição ao governo!

Mais informações

Os monocultivos de eucalipto da indústria brasileira do papel e da pasta de papel estendem-se, sobretudo, perto da costa nos Estados de Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Muitas vezes a vegetação natural das áreas afetadas, a Mata Atlântica rica em biodiversidade e severamente ameaçada, tem que dar lugar às plantações de eucalipto. Frequentemente as empresas de plantações também expulsam pequenos agricultores e indígenas da terra ancestral deles.

Os eucaliptos consomem muita água para o seu crescimento rápido. Por isso, usualmente as águas naturais nas regiões das plantações secam dentro de poucos anos e os lençóis freáticos diminuem.

Nas regiões onde se estendem, os monocultivos também reprimem os arbustos com medidas químicas. Nas plantações industriais, cada cobertura é destruída de forma mecânica e com herbicidas. Pesticidas devem controlar as pragas freqüentes de insetos, fungos e vírus. Os solos secam, são desgastos e contaminados.

Depois de poucos anos, as árvores são cortadas e preparadas mecanicamente com máquinas de safra automáticas. As máquinas pesadas compactam os solos. Só poucos postos de trabalho são gerados. Por isso, as plantações são chamadas de desertos verdes.

Artigo e ação do World Rainforest Movement (WRM) do Uruguai:

"URGENTE: Eucalipto transgênico pode ser aprovado no Brasil"

Brasil de Fato, 5.3.2015: "Com protesto de centenas de camponesas, CTNBio adia decisão sobre eucalipto transgênico"

Comunicado de imprensa do MST, 5.3.2015: "Após ocupação na Suzano, outros 300 camponeses ocupam prédio da CTNBio"

Carta

Para: Governo brasileiro e ministérios

Prezados Senhores e Senhoras Ministros e Ministras,

por favor recusem o pedido da empresa FuturaGene de poder plantar eucaliptos geneticamente modificados monocultivos.

Já agora as plantações industriais de eucaliptos estendem-se em cinco milhões de hectares em todo o país. Destroem os ecossistemas naturais e expulsam a população local.

Além disso, as árvores, que crescem muito rápido, consomem muita água e tornam os solos infrutíferos. O Brasil já está sofrendo com uma seca catastrófica e o abastecimento de água dos habitantes está racionado.

As abelhas e a produção de mel também são ameaçadas pelas árvores transgênicas. Abelhas visitam eucaliptos, o mel seria contaminado pelos eucaliptos geneticamente modificados e mal estaria vendível. Isto ameaçaria a existência de meio milhão de apicultores e produtores de mel.

O afã dos lucros de poucas empresas não deve ter prioridade sobre o bem dos cidadãos e da proteção do meio ambiente, Por esta razão, por favor proíbam as árvores transgênicas.

Com os melhores cumprimentos,