O Mekong deve viver: Parem a barragem de Don Sahong

Manifestantes com bandeiras de protesto e imitações de espécies de peixes ameaçadas Manifestação contra barragens no Mekong (foto: International Rivers) (© International Rivers (CC BY-NC-SA 2.0))
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O Mekong é a artéria vital do Sudeste Asiático. Mas os governos da região querem domar o rio para a geração de energia. No final de Janeiro decidirão sobre a construção da barragem de Don Sahong no Laos. Esta teria conseqüências fatais para o ecossistema e os habitantes. Por favor, apoiem a petição para conservar a terra natal deles.

Apelo

Para: Os primeiro-ministros do Laos, Camboja, Tailândia e Vietnã

“Conservem o futuro do Mekong e de seus habitantes e exijam a proteção do rio e o impedimento da construção da barragem.”

Abrir a petição

O futuro do Mekong e da população ribeirinha está em perigo. A barragem de Don Sahong, planejada pelo governo do Laos no braço principal do Mekong, bloquearia a migração dos peixes.

As conseqüências não só seriam dramáticas para a natureza, mas também poriam em risco a fonte de vida de milhões de pessoas nos países da região do Mekong (Laos, Camboja, Tailândia e Vietnã), porque a vida da população assim como a sua identidade e história estão estreitamente ligadas ao rio. O Mekong alimenta-a e gera a renda.

A barragem de Don Sahong deve ser construída numa região muito especial do Mekong, no habitat de uma das últimas populações do golfinho-do-irrawaddy (Oracella brevirostris) ameaçado de extinção. É na mesma região onde ficam também as cataratas de Khone Phapheng e, no território adjacente no Camboja, uma área de terras úmidas de Ramsar sob proteção internacional.

Ao todo, onze barragens devem ser construídas no rio principal do Mekong. A barragem de Xayaburi no norte do Laos já está em construção. No final de Janeiro, os quatro governos da região do Mekong encontrarão-se para decidir sobre a barragem de Don Sahong.

Por favor, apoiem a petição internacional aos governos do Laos, Camboja, Tailândia e Vietnã. O futuro do rio e a vida da população ribeirinha não devem ser postos em causa.

Mais informações

Mais informações – entre outras um mapa da localização da barragem de Don Sahong – encontram-se no sítio web da organização ambientalista International Rivers (em inglês):

http://www.internationalrivers.org/campaigns/don-sahong-dam

http://www.internationalrivers.org/campaigns/mekong-mainstream-dams

Carta

Para: Os primeiro-ministros do Laos, Camboja, Tailândia e Vietnã

Prezados Primeiro-Ministros,

nós escrevemo-lhes para expressar as nossas preocupações relativas à barragem de Don Sahong no Sul do Laos e quanto ao futuro dos habitantes da região do Mekong.
O rio Mekong é de importância global. Como o Amazonas, ele alberga uma biodiversidade sem par. Em todo o mundo, o Mekong é a maior e a mais produtiva área de pesca na água doce. O rio é de importância vital para toda a região do Mekong e representa um eixo de transporte significativo.

A construção da barragem de Don Sahong bloquearia o braço principal do Mekong, o Hou Sahong, através o qual os peixes migram durante todo o ano. O projeto põe em risco tanto as populações de peixes como, consequentemente, a segurança alimentar e a subsistência de milhões de pessoas.

As medidas propostas para a mitigação dos impactos ambientais não estão comprovadas na região. Os especialistas locais temem que não sejam eficazes e suficientes para poder possibilitar a migração livre dos peixes.

O golfinho-do-irrawaddy altamente ameaçado e uma área de terras úmidas de Ramsar no Camboja sofreriam com os impactos do projeto. O futuro do Mekong, a natureza e a base de vida de milhões de pessoas está em jogo.

Exigimos dos governos dos quatro países na região do Mekong que protejam o rio e que não autorizem a construção da barragem. Por favor, fomentem, em vez disso, sobretudo medidas para poupar energia.

Com os melhores cumprimentos,

Tema

O ponto de partida: Por que a biodiversidade é tão importante?

 

Biodiversidade compreende três campos estreitamente ligados entre si: a diversidade das espécies, a diversidade genética dentro das espécies e a diversidade dos ecossistemas, como por exemplo, florestas ou mares. Cada espécie é parte de uma rede de conexões altamente complexa. Quando uma espécie é extinta, essa extinção tem repercussão sobre outras espécies e outros ecossistemas.

Globalmente, até hoje já foram descritas duas milhões de espécies, especialistas avaliam o número como amplamente maior. Florestas tropicais e recifes de corais pertencem aos ecossistemas com a mais alta biodiversidade e complexidade de organização da Terra. Cerca da metade de todas as espécies de animais e plantas vivem nas florestas tropicais.

A diversidade biológica é, em si, digna de proteção, além de ser para nós, condição de vida. Diariamente, fazemos uso de alimentos, água potável, medicamentos, energia, roupas ou materiais de construção. Ecossistemas intactos asseguram a polinização das plantas e a fertilidade do solo, protegendo-nos de catástrofes ambientais como enchentes ou deslizamentos de terra, limpam água e ar e armazenam gás carbônico (CO2), o qual é danoso para o clima.

A natureza é também a casa e ao mesmo, lugar espiritual de muitos povos originários da floresta. Estes são os melhores protetores da floresta, porquanto é especialmente em ecossistemas intactos que se encontra a base para a vida de muitas comunidades indígenas.

A conexão existente entre destruição da natureza e surgimento de pandemias é conhecida de há muito, não tendo surgido pela primeira vez com o coronavírus. Uma natureza intacta e com bastante diversidade protege-nos de doenças e de outras pandemias.

Para saber mais sobre esta conexão, pode clicar nos link abaixo:

https://www.ufrgs.br/jornal/conexoes-entre-desequilibrios-ambientais-e-o-surgimento-de-doencas-infecciosas-na-amazonia/

https://www.dw.com/pt-br/o-elo-entre-desmatamento-e-epidemias-investigado-pela-ci%C3%AAncia/a-53135352

Os efeitos: extinção de espécies, fome e crise climática

 

O estado da natureza vem piorando dramaticamente, em escala global. Cerca de um milhão de espécies de animais e plantas estão ameaçadas de serem extintas, já nas próximas décadas. Atualmente, 37.400 plantas e animais estão na lista vermelha da organização de proteção ambiental IUCN como espécies ameaçadas de extinção – um tristíssimo recorde! Especialistas chegam a dizer que se trata da sexta maior mortandade de espécies da história da Terra – a velocidade da extinção global das espécies aumentou cem vezes nos últimos dez milhões de anos, e isso por causa da influência humana no meio-ambiente.

Também numerosos ecossistemas, em todo o globo – sendo 75% ecossistemas terrestres e 66% marinhos – estão ameaçados. Somente 3% deles estão ecologicamente intactos, como, por exemplo, partes da bacia amazônica e da bacia do Congo. Especialmente afetados são ecossistemas ricos em biodiversidade, como florestas tropicais e recifes de corais. Cerca de 50% de todas as florestas tropicais foram destruídas nos últimos 30 anos. A extinção dos corais aumenta constantemente com o avançar do aquecimento global.

As principais causas para a grave diminuição da biodiversidade são a destruição de habitats, a agricultura intensiva, a pesca predatória, a caça ilegal e o aquecimento global. Cerca de 500 (quinhentos) bilhões de dólares americanos são investidos por ano, globalmente, na destruição da natureza, da seguinte forma: exploração de pecuária intensiva, subvenções para exploração de petróleo e carvão, desmatamento e impermeabilização do solo.

A perda de biodiversidade tem consequências sociais e econômicas extensas, pois a exploração dos recursos é feita em detrimento dos interesses de milhões de pessoas do Sul Global. Os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável almejados pela ONU – como, por exemplo, o combate à fome e à pobreza - somente poderão ser alcançados se for a biodiversidade for mantida em escala global e utilizada sustentavelmente para as próximas gerações.

Sem a conservação da biodiversidade, a proteção do clima também fica ameaçada. A destruição de florestas e pântanos – eis que ambos são redutores de gás carbônico – agrava a crise climática.

A solução: menos é mais!

 

Os recursos naturais da Terra não estão ilimitadamente à nossa disposição. Praticamente, consumimos recursos no volume correspondente a duas Terras e se mantivermos essa velocidade de consumo, até 2050, consumiremos, no mínimo, recursos no volume de 3 (três) planetas Terra. Para lutar pela conservação da diversidade biológica como nossa condição de vida, precisamos aumentar mais ainda a pressão sobre os nossos governantes. E mesmo no nosso simples cotidiano, podemos agir contribuindo para o mudar da coisa.

Com estas dicas para o dia-a-dia, nós protegemos o meio-ambiente:

  1. Comer plantas com mais frequência: mais legumes e “queijo” de soja (tofu) e menos ou nada de carne no prato! Cerca de 80% das áreas agrárias, em escala global, são usadas para pecuária intensiva e para o cultivo de ração animal;
  2. Alimentos regionais e orgânicos:mantimentos produzidos ecologicamente dispensam o cultivo de monoculturas gigantes e o uso de pesticidas. E a compra de produtos locais economiza uma enorme quantidade de energia;
  3. Viver com consciência: Será que é preciso mesmo comprar ainda mais roupas, ou um celular novo? Ou será que, para coisas do cotidiano, dá para comprar coisas já usadas? Existem boas alternativas para produtos com óleo de palma ou para a madeira tropical! Ter, como bicho de estimação, animais selvagens tropicais como papagaios ou répteis é tabu total! Outra coisa útil é calcular o seu dispêndio pessoal de recursos naturais (a chamada “pegada ecológica”);
  4. Ter relações amistosas com as abelhas: você pode proporcionar uma alegria para abelhas e outros insetos, plantando espécies diferenciadas e saborosas na sacada do seu apartamento ou no quintal da sua casa. Também dá para colaborar sem plantar o verde na própria casa, participando de projetos de proteção à natureza na sua região;
  5. Apoiar protestos: manifestações ou petições contra o aquecimento global ou para uma revolução agrária faz pressão nos governantes, que também são responsáveis pela proteção da biodiversidade.

Leia aqui porque tantas espécies são extintas antes de serem descobertas

 

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