Salve a Ilha de Koh Kong

Ondas derramam-se em uma praia na Ilha do Koh Kong (Camboja) Florestas de mangue, mar cristalino, areia branca: o paraíso intocado da Ilha de Koh Kong (© Mother Nature)

Ainda existem lugares preservados de diversidade tropical acima do nível do mar ou abaixo dele, até mesmo no Camboja, que derruba rigorosamente suas matas. A Ilha de Koh Kong é um desses paraísos que agora deve ser economicamente “integrado”. Nossos parceiros reivindicam que a floresta seja protegida e pedem apoio.

Apelo

Para: Samdech Techo Hun Sen, Primeiro-Ministro do Camboja; H.E. Say Samal, Ministro do Meio-Ambiente; H.E. Thong Khon, Ministro do Turismo

“Coloque a Ilha de Koh Kong sob proteção integral, preservando, assim, esse tesouro da natureza.”

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Florestas tropicais de planície sempre verdes, cachoeiras e lagoas de água doce, praias extensas e estuários com manguezais. Assim é a Ilha de Koh Konga maior ilha do Camboja. “Temos orgulho de que ainda exista um lugar tão impressionante deixado por nossos antepassados Khmer. É dever de nossa geração preservar esse tesouro da natureza.”

Quem diz isso é Thun Ratha em um vídeo da campanha“Salve a Ilha de Koh Kong”, produzido pela organização ambiental Mother Nature para salvar a ilha da exploração comercial. Isto só será possível se ela for protegida por lei.

No entanto, o governo cambojano tem aparentemente outros planos. Em junho de 2019 o primeiro-ministro Hun Sen anunciou que deu ao grupo L.Y.P. a tarefa de “desenvolver” a ilha. Esse conglomerado empresarial explora resorts de luxo, parques de diversões e monoculturas de cana de açúcar e borracha.

Por isso, os ambientalistas já estão temendo o pior. O Ministério do Meio-Ambiente anunciou que em janeiro de 2021,  vai declarar a ilha como parque nacional marítimo, o que é bom; porém, antes disso, algumas regiões devem ser declaradas áreas protegidas, enquanto outras seriam zonas econômicas de exploração.

“Quando o governo dá a uma empres privada a tarefa de “desenvolver” um lugar, seus recursos naturais são destruídos. Isto nós já vimos muitas vezes, mesmo em áreas protegidas”, diz Long Kunthea da “Mother Nature”.

Em uma manifestação de ciclistas, chamou-se a atenção para a destruição que está a ameaçar a Ilha de Koh Kong, ocasião em que os ativistas pretendiam entregar uma petição ao governo. A polícia, contudo, deteve-os e apreendeu-lhes as bicicletas. Entretanto, Thun Ratha, Long Kunthea e uma terceira manifestante encontram-se presos.

Por favor, apoie a nossa reivindicação de salvar a Ilha de Koh Kong e de soltar já os ambientalistas presos.

Mais informações

Ilha de Koh Kong

Trata-se da maior ilha do Camboja. Ela pertence à província Koh Kong, situada no oeste do país. A ilha - com área é de 103 km2 e uma linha costeira de 53 km  - é um pouco maior que a Ilha de Santa Maria, nos Açores.

O acesso à ilha é exclusivamente por barco, e mesmo entre os cambojanos ela é pouco conhecida. Ela também é pouco habitada, muito embora sua margem nordestina esteja situada a menos de 500 m da aldeia continental Lam Dam, no município de Koh Kapik.

No extremo-norte da ilha há uma base militar, havendo em algumas praias pequenos postos militares externos com um ou dois domicílios. No sudeste está Alatan, uma aldeia de pescadores com cerca de 80 famílias, as quais vivem em casas flutuantes em uma baía diante da costa. Em terra firme, há lagos provenientes de cachoeiras, os quais são usados pelas famílias como fonte de água.

Natureza em paz

A ilha é coberta por florestas tropicais de planícies sempre-verdes. Existem muitas cachoeiras, leitos de córregos rochosos e lagoas de água doce, as quais dão de encontro para o mar em praias brancas franqueadas por estuários com manguezais. No solo subaquático espalham-se recifes e capins- do- mar, habitado por peixes tropicais e corais.

Ameaças

Embora no passado já tenha havido desmatamentos seletivos e ocorra esporadicamente caça furtiva, Koh Kong conservou até hoje a natureza intacta. No entanto, estão pairando no horizonte as seguintes ameaças à sua existência:

Recentemente, foi construída uma estrada larga com máquinas pesadas. A estrada, que já tem 6.300 m, começa na base militar ao norte da ilha e segue para o sul. Correm boatos de que a estrada poderia ser prolongada em 20 km, percorrendo toda a extensão da ilha. É de se temer que uma estrada cortando uma floresta virgem atraia madeireiros e caçadores. E sobretudo, especuladores imobiliários, como mostram vários exemplos no Camboja. Depois disso, nada mais seria obstáculo para a derrubada industrial da floresta.

Ambientalistas receiam que que uma prolongação da estrada seja apenas o começo do fim: Em junho de 2019 o Primeiro-Ministro Hun anunciou o objetivo do governo de “desenvolver” a ilha do ponto de vista econômico; para isso, foi criado um comitê sob a condução do Ministério do Meio-Ambiente. Quem recebeu a tarefa de cuidar do desenvolvimento econômico da Ilha de Koh Kong foi a empresa privada Koh Kong SEZ Co. Ltd. Ela pertence ao poderoso grupo L.Y.P., de propriedade de Ly Yong Phat, um dos homens mais influentes e abastados do Camboja.

No portfólio de negócios do conglomerado empresarial incluem-se resorts de luxo, parques de diversões, campos de golf, monoculturas de açúcar e borracha, imóveis e uma emissora de TV.

Por isso os ambientalistas presumem que “desenvolvimento econômico” não seja nada de bom para a natureza até hoje intocada ilha de Koh Kong. Hotéis de luxo já são objeto de conversações.

 Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a ilha deverá ser declarada em 2001 como parque nacional marinho, por causa de sua grande biodiversidade e belas praia. Não obstante, o governo outorgou à empresa Koh Kong SEZ autorização para “desenvolver” a ilha. No entanto, planos exatos a respeito de como isso vai ser, o Ministério não divulgou.

“Quando o governo autoriza uma empresa privada a “desenvolver” uma região, seus recursos naturais são destruídos e a população tira pouco proveito. Isso nós já vimos no passado, e várias vezes” – declarou a ambientalista Long Kunthea da “Mother Nature” em 23 de junho de 2020 para o jornal Camboja News. Ela reivindica que o governo revogue a licença concedida à Koh Kong SEZ Co e coloque a ilha sob proteção legal e integral.

Suom Chamroeun, que no começo de junho participara de uma manifestação de ciclistas pela proteção da Ilha de Koh Kong, declarou ao Phnom Penh Post: “Nós estamos seriamente preocupados com o fato de o governo ter cedido a uma empresa privada o direito de desenvolver a ilha. E até agora ninguém sabe o que o governo vai fazer para proteger a ilha. Nós estamos preocupados a esse ponto porque, na nossa concepção, desenvolvimento significa destruição. Isso porque os planos da Koh Kong SEZ Co. ainda não estão claros o suficiente para serem compreendidos.”

Um exemplo é o vizinho Parque Nacional Botum-Sakor, o qual, ao longo dos últimos 15 anos, volta e meia foi desmatado com a desculpa de que haveria várias das chamadas “Economic Land Concessions” e “Special Economic Zones”. Por isso, os ambientalistas reivindicam que que a ilha de Koh Kong seja integralmente declarada como parque nacional, garantindo, assim, que sua proteção ambiental seja legalmente garantida.

Objetivo da campanha

O objetivo da campanha “Salve a Ilha de Koh Kong” é fazer as pessoas conhecerem a beleza e o significado dessa ilha especial, para que ela possa ser deixada para as próximas gerações em seu estado natural.

O objetivo da “Mother Nature” é que a Ilha de Koh Kong seja declarada como parque nacional em sua inteireza, para que assim ela possa ser legalmente protegida e integralmente conservada. Os ambientalistas são contundentemente contra qualquer forma de desenvolvimento que traga consequências negativas para a ilha.

Se, porém, tal desenvolvimento for inexorável, somente poderão ser consideradas opções sustentáveis e pró-ambientais, por exemplo sua promoção como área de ecoturismo.

 Ambientalistas em grande perigo

Quem no Camboja atua publicamente pela proteção da natureza e dos direitos humanos, vive em constante perigo de ser incomodado, ameaçado ou preso. Tudo isso foi vivido pelos ambientalistas da “Mother Nature” (MN) já há muitos anos.

No dia 3 de setembro de 2020, os ativistas da MN, Thun Ratha e suas colegas Long Kunthea e Phuong Keorasmey foram presos em Phnom Penh porque organizaram uma passeata pacífica a caminho da residência do Primeiro-Ministro com o objetivo de chamar a atenção para a betonização (aterramento com concreto) do lago para dar lugar a uma base militar. O lago alimenta 300 famílias. Como fundamento para as prisões, foi mencionado “instigação a um crime ou a burburinhos sociais”. Os três ambientalistas são também os organizadores da Campanha “Salve Koh Kong”. Eles estão até hoje na prisão.

Em 22 de junho de 2020, três membros da MN organizaram em frente do Wat Botum Pagode uma exposição fotográfica pública sobre a natureza da Ilha de Koh Kong. Com isso, o maior número possível de pessoas poderia ser informado da existência das belezas da ilha. A exposição foi imediatamente encerrada por forças de segurança. Além disso, proibiram-lhes de transmitir o evento ao vivo via Facebook. Supostamente, seria necessária uma autorização para tal, a qual, contudo, não é prevista pelo direito cambojano.

Em 1 de junho de 2020, 18 ativistas da MN deram início a um rali de bicicletas de Koh Kong para a capital Phnom Penh, a fim de entregar ao governo uma petição sobre a salvação da Ilha de Koh Kong. Já no segundo dia eles foram detidos por policiais, que ainda lhes aprendeu todas as bicicletas.

Esses são apenas três recentes exemplos do que o Camboja faz para calar a boca de ambientalistas e ativistas de direitos humanos. Nós acompanhamos e apoiamos “Mother Nature” desde sua fundação, bem como já reportamos várias vezes sobre as ameaças que ela sofre:

Pedido de doação (em inglês): Support Cambodia’s nature defenders

Petição (em inglês): The fight for Areng Valley goes on

Petição (em inglês): Singapore is dredging our home away: hands off our sand!

 O Camboja está vendendo seus tesouros naturais

O reino à beira do Mekong tem uma das mais altas taxas de derrubada do mundo: entre 2001 e 2014 foram perdidas 16 mil km2 de floresta tropical de planície sempre-verde, sobretudo para dar lugar a empreendimentos de plantação de cacau. Conforme Mongabay, isso é o que mostram fotos do Camboja central tiradas por satélites da NASA. Nem sequer 3% de mata originária ficou na terra.

Já há muitos anos o governo vem outorgando concessões a empresas madeireiras e/ou exploradoras de monoculturas. Foi assim que sobretudo a borracha expandiu-se de maneira rápida. Mas não apenas os desmatamentos industriais autorizados das madeireiras são um problema para a biodiversidade. Ainda maior é o problema dos desmatamentos ilegais, os quais, segundo um estudo, são responsáveis por 90% da produção de madeira.

Sendo assim, é mais importante ainda que a intacta floresta sempre-verde da Ilha de Koh Kong seja conservada, tal como ela é.

Carta

Para: Samdech Techo Hun Sen, Primeiro-Ministro do Camboja; H.E. Say Samal, Ministro do Meio-Ambiente; H.E. Thong Khon, Ministro do Turismo

Ilustríssimos Senhores,

Venho à presença de Vossa Senhoria para expressar o meu apoio a dezenas de milhares de cambojanos que anunciaram publicamente interesse na proteção da maior e mais bela ilha do Camboja – a Ilha de Koh Kong.

Peço-lhes, por favor, o seguinte:

* Revoguem o acordo assinado pelo Governo Real do Camboja com a empresa Koh Kong SEZ relativo ao “desenvolvimento” da Ilha de Koh Kong, ajustado sem ouvir os relevantes grupos interessados – e mantido sob sigilo. As pessoas no Camboja e, em especial, os que vivem nos municípios da Província Koh Kong, teriam mais benefícios se a ilha continuar preservada como está do que se for “desenvolvida”;

* Declarem a ilha como um todo, bem como a região marítima do entorno, como parque nacional, preservando-a de qualquer forma de destruição. O modo que o Camboja já “desenvolveu” ilhas e áreas de proteção outrora intocadas não pode ser exemplo algum para Koh Kong Island;

* Trabalhem com as comunidades locais e com os ativistas ambientais, bem como com organizações nacionais e internacionais para deliberar em conjunto sobre um sistema sustentável para recebimento de um número limitado de turistas na ilha, de modo que a natureza sofra o menos possível;

* Trabalhem em conjunto com especialistas domésticos e estrangeiros com o objetivo de construir na ilha e em suas florestas de mangues um centro de pesquisa ecológica;

* Parem, imediatamente, de ameaçar e reprimir os ambientalistas que se manifestaram publicamente pela conservação da ilha no estado em que ela se encontra atualmente. Soltem os três ativistas da “Mother Nature” Camboja que organizaram a campanha para a proteção da Ilha de Koh Kong: Thun Ratha, Long Kunthea e Phuon Keorasmey.

Saudações cordiais

Footnotes
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Esta petição está disponível, ainda, nas seguintes línguas:

82.241 participantes

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