Feiras de animais silvestres precisam ser fechadas!

Pangolim engaiolado no Centro de Conservação de Recursos Naturais de Riau (Indonésia) Pangolim engaiolado (© Arief Budi Kusuma/shutterstock.com)

Em muitas feiras livres de animais silvestres no mundo são comercializados animais ameaçados e caçados ilegalmente. Com isso, elas contribuem com o crescente extermínio de espécies. Tais feiras – as quais, ademais, são criadouros de doenças que podem ser fatais também para seres humanos – precisam fechadas no mundo todo.

Apelo

Para: Xi Jinping, Presidente da República Popular da China, Elizabeth Maruma Mrema (UNCBD), Países-Membros das Nações Unidas

“Feiras de animais silvestres incentivam a caça ilegal de espécies ameaçadas e favorece a disseminação de doenças. Por isso, elas precisam ser fechadas.”

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O surto do novo coronavírus em Wuhan, na China, colocou as feiras livres de animais silvestres no foco das atenções. O “Huanan Seafood Market” - no qual também eram vendidos animais vivos e recém-abatidos – é tido como o possível ponto de partida da pandemia. De acordo com análises genéticas, o hospedeiro originário do vírus era o morcego, mas os transmissores foram possivelmente os animais da feira de Wuhan.

Nessa feira, além de peixes, também se vendia a carne de 30 espécies silvestres, dentre as quais pangolins, viverridae, esquilos, espécies de ratos, faisões, escorpiões e cobras.

Feiras livres de animais silvestres ajudam a gerar outros problemas. Em tais feiras são comercializadas espécies ameaçadas e ilegalmente caçadas, como o pangolim, contribuindo, assim, com sua extinção.

A caça ilegal e o comércio de animais silvestres é uma das causas que, juntamente com a mudança do clima e a destruição do habitát, contribui com o dramático desaparecimento de muitas espécies, papel esse que, até agora, vem sendo subestimado. Foi só no final de 2019 que um relatório da ONU advertiu sobre as proporções da catástrofe. Logo, até um milhão de espécies de animais e plantas poderão, de acordo com esses dados, desaparecer.

E porque é de saúde pública global e contribui para a extinção de várias espécies, reivindicamos o fechamento das feiras desse tipo a nível mundial.

De a 15 a 28 de outubro a China será anfitriã da Conferência da ONU sobre Biodiversidade, ocasião em que quase 200 países discutirão como a extinção das espécies poderá ser detida. Trata-se de uma oportunidade de ouro para que os países-membros decidam proibir essas feiras em escala mundial.

Por favor, apoie esta reivindicação com a sua assinatura.

Mais informações

Feiras de animais silvestres na China

As autoridades chinesas, inicialmente, fecharam as feiras de animais silvestres, primeiro, por tempo determinado; depois, fecharam-nas a título definitivo. A epidemia de SARS (Severe Acute Respiratory Syndrome), de 2002, também foi causada por um coronavírus.

Já durante o surto de SARS as feiras livres de animais silvestres foram fechadas; porém, quando a epidemia acabou, elas foram reabertas.

A maioria dos chineses não faz compras em feiras de animais silvestres, pois produtos de animais selvagens são comparativamente caros.

Em alguns países, as pessoas caçam para o próprio consumo, o que deve continuar a ser permitido. A proibição deve se concentrar, de acordo com as características locais, no comércio de bushmeat (isto é, carne de animal de espécies ameaçadas).

Para que grande parte da população não seja criminalizada, é aconselhável que se faça campanhas para a mudança de comportamento. Essa iniciativa, porém, não pode ser impulsionada externamente.

Links adicionais relativos à política chinesa:

https://eia-international.org/news/eia-supports-calls-in-china-to-extend-temporary-wildlife-trade-ban-and-make-it-permanent/?

https://newsroom.wcs.org/News-Releases/articleType/ArticleView/articleId/13738/WCS-Calls-for-Closing-Live-Animal-Markets-that-Trade-in-Wildlife-in-Wake-of-Wuhan-Coronavirus-Outbreak.aspx

https://newsroom.wcs.org/News-Releases/articleType/ArticleView/articleId/13755/WCS-Chinese-ban-on-the-sale-of-wildlife-in-markets-restaurants-and-over-e-commerce-needs-to-be-permanent.aspx

https://wildaid.org/chinese-citizens-call-for-permanent-ban-on-wildlife-markets/

https://www.thepetitionsite.com/de/120/292/027/time-to-end-illegal-wildlife-markets-that-led-to-deadly-outbreak-of-the-coronavirus/?

O problema da caça de animais ameaçados (bushmeat)

O comércio internacional de animais silvestres e seus produtos, dentre os quais marfim, escamas de pangolim e pássaros vivos vendidos como animais de estimação está consolidado na mão de criminosos, contribuindo, assim, com o saque da natureza.

São frequentemente subestimadas as terríveis consequêncas dos preponderantemente locais e regionais comércio e consumo de carne de caça (bushmeat), sendo que peixes, insetos e moluscos não estão incluídos, normalmente, nessa categoria. Isto pode causar danos ecológicos consideráveis e contribuir com a extinção de espécies animais, e isso até mesmo independentemente de serem ilegais ou não. Ademais, bushmeat pode exercer um papel relevante na disseminação de causadores de doenças, como no caso dos vírus Ebola, na África e do Covid-19, que partiu da China e se alastrou para o mundo inteiro.

Motivos para a caça, comércio e consumo de bushmeat:

- O consumo de bushmeat é hábito adquirido muitas gerações atrás, pertencendo à alimentação corrente, a qual não se questiona. Muitos fregueses tem preferência por bushmeat, por ser mais saboroso e mais saudável.

- A caça pode servir, preponderantemente, para o consumo próprio; frequentemente, no entanto, a venda de bushmeat também pode servir como renda adicional.

- Para caçadores comerciais, a venda de bushmeat é a fonte de renda central, embora a população urbana represente um mercado importante.

- A caça pode ser mais simples ou uma garantia de sucesso maior do que a carne de criação.

- A caça pode ser a única ou a mais importante fonte de proteína, sobretudo para a população de menor renda.

- O consumo de bushmeat pode ser um símbolo de status para camadas sociais de melhor renda.

- Uma pequena parte do comércio de bushmeat de florestas tropicais estende-se até a Europa.

Por quê o consumo de carne de caça (bushmeat) é ecologicamente danoso?

O consumo de bushmeat vem se tornando cada vez mais um problema mais insistente, e que vem contribuindo para a extinção de espécies no âmbito local e global, contribuindo, assim, para a local ou global extinção de espécies.

Muitas espécies de animais já estão ameaçadas em termos numéricos, tendo em vista que o seu habitat está destruído por derrubadas, monoculturas, mineração e assentamentos ou porque espécies exóticas foram para lá levadas.

A caça reforça essa perda, podendo ser, mesmo isoladamente, um perigo para a sobrevivência das espécies. De acordo com um estudo, 301 mamíferos terrestres estão ameaçados somente pelo fato de serem caçados por gente. Especialmente ameaçadas são sobretudo as espécies que procriam apenas raramente, como é o caso das macacas.

A caça pode modificar integralmente um ecossistema, prejudicando a cooperação de numerosas espécies de animais e plantas.

Motivos para o agravamento do problema bushmeat

Que as pessoas, por meio da caça, podem exterminar espécies, não é um fato novo. Sempre que houve migrações de populações humanas nos últimos milênios, houve também o desaparecimento, em especial, de espécies mamíferas grandes e aves. Agora, o problema agrava-se ainda mais.

Cada vez mais florestas tropicais são substituídas por ruas construídas por colonos e caçadores, depois de invadirem regiões outrora consideradas inacessíveis.

Para vendedores de bushmeat, o mercado não para de crescer: cidades cada vez com um número maior de habitantes, os assentados compram carne e do mesmo modo, os trabalhadores que atuam na construção de rodovias, usinas hidrelétricas ou monoculturas.

Por causa do aumento do número de habitantes, a demanda por bushmeat cresce, tanto por parte da população rural como da população urbana.

Os métodos de caça comercial são muito mais efetivos do que os usados por caçadores tradicionais, tendo em vista que os primeiros matam praticamente todo animal cuja caça é possível.

Legal ou ilegal?

A caça de espécies ameaçadas é ilegal em muitos países; relativamente a outros animais, caçadores e comerciantes precisam de licenças. Frequentemente, as autoridades não tem condições de executar e controlar o cumprimento dessas regulamentações. Os danos ecológicos, contudo, não são provocados somente pela caça ilegal. Também a caça legal pode prejudicar a existência de algumas espécies, por exemplo, quando a caça aumenta fortemente ou então porque certas espécies, seja pelo motivo que for, não são legalmente protegidas. Também a caça legal próxima a regiões protegidas prejudica espécies que, então, deslocam-se para regiões que vão além das áreas de proteção.

O que pode ser feito contra a crise?

Porque o tema bushmeat é complexo, não existe nenhuma receita simples e eficiente para uma solução. Qualquer medida que seja tomada tem de considerar as necessidades da população local e indígena, para que o problema possa ser resolvido de forma efetiva.

Proibições vigentes precisam ser cumpridas. É preciso que se ponha fim à caça e ao comércio ilegal. Áreas de proteção precisam, de fato, garantir proteção.

Feiras de animais silvestres precisam ser fechadas, mesmo que o comércio local não viole normas eventualmente existentes. É preciso que a proibição seja estendida, por exemplo, a restaurantes e ao comércio de entregas.

É preciso que sejam criadas fontes alternativas de proteína, por exemplo, pela criação de peixes ou de outros animais. Também a utilização de proteínas vegetais pode ser, do mesmo modo, incentivada.

É preciso que seja alcançada uma modificação do padrão de consumo, especialmente no tocante à população urbana. Os elementos essenciais para alcança-los são educação e esclarecimentos a respeito de ecologia e das consequências negativas do consumo de bushmeat e de outras carnes igualmente proibidas.

Carta

Para: Xi Jinping, Presidente da República Popular da China, Elizabeth Maruma Mrema (UNCBD), Países-Membros das Nações Unidas

Exmo. Sr. Xi Jinping, Presidente da República Popular da China, país anfritrião da Conferência da UNCBD
Exma. Sra. Elizabeth Maruma Mrema, Diretora-Executiva da UNCBD,
Exmas. Sras. e Sres.,

O surto do coronavírus na cidade chinesa de Wuhan colocou as feiras de animais silvestres no centro das atenções. O “Huanan Seafood Market”, que vendia animais vivos e recém-abatidos, é tido como o possível ponto de partida da epidemia.

Feiras de animais silvestres, na medida em que vendem animais ameaçados ou ilegalmente caçados, também contribuem para sua extinção.

Por favor, empenhe-se para que feiras de animais silvestres que vendem animais ameaçados ou caçados ilegalmente sejam fechadas.

A proibição não deve se limitar à carne ou ao animal em si para alimentação, mas precisa também ser estendida a produtos animais utilizados para outros fins, como por exemplo, para fins supostamente medicinais, tinturas e jóias, bem como para o uso como animais de estimação.

A proibição precisa, ainda, estender-se a animais criados em cativeiro. De outro modo, este comércio poderia ser utilizado como refúgio para atividades ilegais, mantendo viva, assim, a demanda por outros produtos.

A proibição precisa também ser estendida para restaurantes, serviços de entrega e plataformas online.

A saúde humana e a luta contra a extinção das espécies exigem uma resposta resoluta.

Atenciosamente

Esta petição está disponível, ainda, nas seguintes línguas:

323.614 participantes

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