Indonésia chantageando a UE: Aviões devem abastecer com óleo de palma

Montagem: Avião da Airbus sobrevoando plantação de óleo de palma Negócios da Airbus em perigo? (© Andy_Oxley/istockphoto.com + nelzajamal/shutterstock.com - Collage Rettet den Regenwald)

29 de ago de 2018

A Indonésia está querendo chantagear a UE e os EUA? Só compraremos vossos aviões se vocês abastecerem com óleo de palma, assim se poderia resumir a exigência deles.

O Ministro do Comércio da Indonésia, Enggartiasto Lukita, está exigindo que os EUA e a UE  autorizem a produção de gasolina de aviação a partir do óleo de palma, conforme relata a agência de notícias Reuters. Esta seria uma condição para a compra dos aviões produzidos pela Boeing ou Airbus.

De acordo com a imprensa indonésia, arremata quem satisfizer essa condição. A Boeing estaria disposta a produzir aviões de forma a possibilitar o uso do combustível Bioavtur.

O Ministro do Comércio, Lukita, está, aparentemente, tentando estimular a venda de óleo de palma. Em julho, a UE decidiu extinguir, até o ano de 2030, a o dever de adição de óleo de palma à gasolina. Ambientalistas estão reivindicando, já de há muito, o banimento do óleo de palma.

“O óleo de palma é uma das causas da destruição da floresta tropical. Milhões de pequenos lavradores são expulsos de suas terras”, diz Reinhard Behrend, da Associação Salve a Selva. O tempo de manutenção até 2030 seria longo demais, porque até lá, vão continuar a desmatar.

A companhia aérea estatal Garuda, aparentemente, suspendeu a encomenda de um Boeing de um Airbus, supostamente em razão do preço. A companhia aérea privada Lion Air aposta na gasolina de aviação feita a partir do óleo de palma e já encomendou 50 Boeing 737 pelo valor de 6,2 milhões de dólares.

O alcance do desespero indonésio na luta pelo mercado consumidor da UE é mostrado por uma anedota deste primeiro semestre de 2018: a Indonésia ameaçou a boicotar os peixes da Noruega, caso a UE importe menos óleo de palma – só que a Noruega sequer é membro do EU.

Nem os fabricantes dos aviões, nem as duas companhias aéreas comentaram a notícia da Reuters.