Peru: Amazônia em perigo

Fotografia aérea do desmatamento na floresta amazônica Empresas de óleo de palma requereram o desmatamento de 100 mil hectares de floresta tropical. (Foto: NASA) (© NASA)
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Fim da petição: 5 de mar. de 2015

“Por favor, ajudem-nos a defender a Amazônia peruana”. Com este apelo urgente, habitantes do Peru dirigiram-se a Salve a Selva. Desde há pouco, especuladores têm desmatado a floresta tropical para plantar dendezeiros. Queremos ajudar a pôr fim à destruição da floresta amazônica. Por favor, escreva ao governo peruano.

Apelo

Para: o Presidente da República do Peru, Senhor Ollanta Humala Tasso e o Ministro do Meio Ambiente da República do Peru, Senhor Manuel Pulgar-Vidal

“O desmatamento para plantações de dendezeiros no Peru tem que ser parado e a floresta amazônica protegida.”

Abrir a petição

As pessoas na Amazônia vivem daquilo que a floresta lhes oferece. Em pequenas parcelas elas praticam agricultura e capturam peixes nos rios. Alguns também produzem artesanato ou trabalham como guia turístico para os visitantes que chegam pela cidade de Iquitos. Os habitantes não fazem grandes lucros, mas o seu modo de vida não prejudica a floresta tropical.

Porém, desde há alguns meses, o mundo nas terras baixas do Peru tem desabado, as pessoas estão em revolta e têm medo. Empresas poderosas começaram a desmatar a floresta tropical em grande escala. As atividades iniciaram em secreto. Somente em Setembro, quando a prensa local denunciou o desmatamento na primeira página dos jornais, o público despertou.

Pouco a pouco foi revelado que uma dúzia de empresas deve ter comprado 60 mil hectares de floresta primária do governo somente em Loreto. E nos departamentos de Loreto e Ucayali requereram o abate de mais de 100 mil hectares de floresta tropical.

Por favor, assinem a nossa petição ao governo peruano e aos políticos responsáveis. Eles têm que pôr fim ao desmatamento de forma imediata e evitar o estabelecimento das plantações de dendezeiros.

Carta

Para: o Presidente da República do Peru, Senhor Ollanta Humala Tasso e o Ministro do Meio Ambiente da República do Peru, Senhor Manuel Pulgar-Vidal

Prezado Senhor Presidente Ollanta Humala Tasso,
prezado Senhor Ministro do Meio Ambiente Manuel Pulgar-Vidal,

é com horror que nós tomámos conhecimento do desmatamento por empresas de óleo de palma na floresta amazônica de Loreto e Ucayali. Cerca de 10 mil hectares de floresta tropical já foram abatidos.

No total, ao menos uma dúzia de empresas de óleo de palma deve ter requerido o desmatamento de 100 mil hectares de floresta tropical em Loreto e Ucayali.

Segundo a lei florestal 27.308, o Estado têm o dever de proteger as florestas. Por isso, pedimo-lhes que:
evitem a destruição das florestas tropicais e mais conflitos ambientais e sociais causados por empresas de plantações e não autorizem o desmatamento obviamente requerido pelas empresas.
façam parar as atividades das empresas de plantações em Loreto e Ucayali imediatamente.
investiguem como as empresas adquiriram supostamente até 80 mil hectares de floresta tropical e façam com que as pessoas envolvidas no comércio de terras irresponsável compareçam no tribunal.

As florestas tropicais formam a base de vida das pessoas que vivem ali e representam o espaço vital de uma diversidade enorme de animais e plantas.

Por causa dos danos graves e irreversíveis, pedimo-lhes que atuem imediatamente e esperamos uma resposta positiva por parte dos senhores.

Com os melhores cumprimentos,

Tema

A situação – florestas tropicais nos tanques e nos pratos

Com 66 milhões de toneladas por ano, o óleo de palma é o óleo vegetal mais produzido no mundo. Nos últimos anos, as plantações de óleo de palma já se estenderam, mundialmente, a mais de 27 milhões de hectares de terras. Florestas tropicais, pessoas e animais já tiveram de recuar uma área do tamanho da Nova Zelândia para dar lugar ao “deserto verde”.

 O baixo preço no mercado mundial e as qualidades de processamento estimadas pela indústria levaram a que um em cada dois produtos no supermercado contenha óleo de palma. Além de ser encontrado em pizzas prontas, bolachas e margarina, o óleo de palma também está em cremes hidratantes, sabonetes, maquiagem, velas e detergentes.

O que poucas pessoas sabem: na União Europeia 61% do óleo de palma importado é usado para produzir energia: 51% (4,3 milhões de toneladas) para a produção do biodiesel, bem como 10% (o,8 milhões de toneladas) em usinas para a produção de energia e calor.

A Alemanha importa 1,4 milhões de toneladas de óleo de palma e óleo de semente de palma: 44% das importações de óleo de palma (618.749 t) foram utilizados para fins de produção de energia, dos quais 445.319 t (72%) foram utilizados para a produção de biocombustível, ao passo que 173.430 t (28%) foram usados para produzir energia e calor.

Com isso, a equivocada política de energia renovável da Alemanha e da UE é uma importante causa para a derrubada de florestas tropicais. A mistura de biocombustível na gasolina e no óleo diesel é obrigatória desde 2009, por determinação de diretiva da União Européia.

Ambientalistas, ativistas de direitos humanos, cientistas e e até mesmo a maior parte dos parlamentares europeus reivindicam, reiteradamente, a exclusão do óleo de palma do combustível e das usinas a partir de 2021. Em vão. Em 14 de junho de 2018, os membros da UE decidiram continuar permitindo o uso do óleo de palma tropical como “bioenergia” até o ano de 2030.

As alternativas: Por favor, leia as informações sobre a composição dos ingredientes na embalagem, deixando na prateleira os produtos que contém óleo de palma. Já na hora de abastecer, não há outra opção: a única solução é a bicicleta ou os meios de transporte públicos

As consequências: perda de matas, extinção de expécies, expulsão de nativos e aquecimento global

Nas regiões tropicais ao redor do Equador, o dendezeiro (elaeis guineensis) encontra condições ideais para o seu cultivo. No Sudeste Asiático, na América Latina e na África, vastas áreas de floresta tropical são desmatadas e queimadas todos os dias a fim de gerar espaço para as plantações. Desta forma, quantidades enormes de gases com efeito-estufa são emitidas na atmosfera. Em partes do ano de 2015, a Indonésia – a maior produtora de óleo de palma – emitiu mais gases climáticos do que os EUA. Emissões de CO² e metano levam a que o biodiesel produzido a partir de óleo de palma seja três vezes mais nocivo para o clima do que o combustível tirado do petróleo.

Mas nem só o clima global está sofrendo: juntamente com as árvores, também desaparecem raras espécies animais como o orangotango, o elefante-pigmeu-de-bornéu e o tigre-de-sumatra. Muitas vezes, pequenos agricultores e indígenas que habitam e protegem a floresta são deslocados da terra deles de forma violenta. Na Indonésia, mais que 700 conflitos de terra estão relacionados com a indústria de óleo de palma. Até nas plantações declaradas como “sustentáveis” ou “ecológicas”, sempre violam-se, reiteradamente, direitos humanos.

Nós, consumidores, não sabemos muito disto. Porém, o nosso consumo diário de óleo de palma também tem efeitos negativos para a nossa saúde: o óleo de palma refinado contém grandes quantidades de ésteres de ácidos graxos, que podem interferir no patrimônio hereditário e causar câncer.

A solução – revolução dos tanques e dos pratos

Hoje em dia, somente 70 mil orangotangos vivem nas florestas do Sudeste Asiático. A política do biodiesel na UE leva os antropóides à beira da extinção: cada nova plantação de dendezeiros destrói um pedaço do espaço vital deles. Para ajudar os nossos parentes, temos que aumentar a pressão sobre a política. Mas no seu dia a dia existem várias opções para agir!

Estas dicas simples ajudam a encontrar, evitar e combater o óleo de palma:

  1. Cozinhe e decida por si mesmo ingredientes frescos, misturados com um pouco de criatividade, fazem empalidecer qualquer refeição pronta (que contenha óleo de palma). Para substituir o óleo de palma industrial, podem-se utilizar óleos europeus como óleo de girassol, colza ou azeite ou, no Brasil, óleo de côco, de milho (não modificado geneticamente!) ou – se você conhece a origem – óleo de dendê artesanal.

  2. Ler as letras pequenas: na União Europeia, as embalagens de alimentos têm que indicar desde Dezembro de 2014 se o produto contém óleo de palma.1 Em produtos cosméticos e de limpeza esconde-se um grande número de termos químicos.2 Com um pouco de pesquisa na Internet, podem-se encontrar alternativas sem óleo de palma.

  3. O consumidor é o rei: Quais produtos sem óleo de palma são oferecidos? Por que não se utilizam óleos domésticos? Perguntas ao pessoal de vendas e cartas ao produtores exercem pressão sobre as empresas. Esta pressão e a sensibilização crescente da opinião pública já fizeram com que alguns produtores renunciassem o uso de óleo de palma nos próprios produtos.

  4. Petições e perguntas a políticos: protestos on-line exercem pressão sobre os políticos responsáveis por importações de óleo de palma. Você já assinou as petições da Salve a Selva?

  5. Levante a sua voz: manifestações e ações criativas na rua tornam o protesto visível para a população e a mídia. Assim, a pressão sobre decisores políticos ainda cresce.

  6. Transporte público em vez de carro: se possível, ande a pé, de bicicleta ou use o transporte público.

  7. Passe os seus conhecimentos: a indústria e a política querem fazer-nos crer que o biodiesel seja compatível com o ambiente e que plantações de dendezeiros industriais possam ser sustentáveis. Salveaselva.org informa sobre as consequências do cultivo de dendezeiros.