Nada de trem turístico na floresta do povo maia!

Montagem de trem DAV e ruínas maias de Ek Balan em Yucatán A 160 km/h nas entranhas da floresta tropical mexicana (© borphy/istockphoto.com & Sebastian Terfloth - Collage RdR)

Um projeto do presidente mexicano López Obrador está ameaçando as florestas tropicais da península de Yucatán. Um novo trecho ferroviário deverá transportar turistas da costa caribenha em Cancún para o interior, rumo ao sítio arqueológico das pirâmides maias. Por favor, recuse esse projeto insensato.

Apelo

Para: Presidente do México, Andrés Manuel López Obrador

A construção do trem maia precisa ser reexaminada, os povos indígenas tem de ser consultados e a travessia pela Reserva da Biosfera Maia tem de ser evitada

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O chamado trem-maia, cujo custo avaliado de construção é de cerca de 7 bilhões de euros, traria desenvolvimento para o pobre sul mexicano, promete o presidente Obrador. O trem deve transportar turistas do balneário de Cancún e da Riviera maia na costa caribenha para as pirâmides maias nos sítios arqueológicos de Palenque, no interior,  e isso a uma velocidade de até 160 km/h.

Os planejados 1.525 km de trilhos ferroviários devem ser construído ao longo de cinco estados mexicanos. A extensão corresponde, mais ou menos, à distância entre Hamburgo e Roma!

Nesse sensível ecossistema, terão de ser construídas pistas para a passagem das pesadas máquinas e materiais de construção, bem como colônias de trabalhadores. Milhões de toneladas de terras e rochas terão de ser movimentadas, quantidades enormes de concreto e aço terão de ser construídas.

Essa ferrovia ameaça cortar as entranhas da Reserva da Bioesfera Maia, terra natal de onças, tapires e macacos-bugios. Para conseguirem se movimentar, se alimentar e se reproduzir, essas espécies necessitam da floresta como um todo. A construção de alguns túneis e de pontes não vai bastar para possibilitar a vida dessas espécies.

Também a comunidade indígena maia da pensínsula de Yucatán é afetada pelo projeto, e em consequência, o rejeita.

“O trem maia nada tem que ver com os indígenas maias, tampouco o turismo em massa tem qualquer serventia para a população maia. Não queremos ser uma nova Cancún ou Riviera maia, das quais os únicos beneficiários são redes internacionais hoteleiras, agências de viagem redes de restaurantes”, escrevem os moradores ao presidente mexicano Lopez Obrador.

Eles pedem ao presidente que não construa uma ferrovia no meio da Reserva da Biosfera e área indígena maia.

Mais informações

Selva maia

A selva maia é uma região de mata tropical no triângulo composto por Belize, pelo norte da Guatemala e pelo sudoeste do México. Com mais de quatro milhões de hectares de terra protegida, trata-se da maior floresta tropical da América Central.

A selva maia dispõe de extraordinária biodiversidade, composta por mais de 20 diferentes ecossistemas. Estes compreendem desde as sempre-verdes florestas tropicais de Péten na Guatemala, passando por florestas de montanha, até as florestas secas na península do norte de Yucatán.

Reações ao projeto “trem-maia”

Diversas iniciativas rechaçam o projeto “trem-maia”, dentre as quais Unir Fuerzas para la Defensa del Territorio, que já divulgaram um comunicado. "O projeto já dispõe de um planejamento orçamentário, procedimentos de oferta, rota das vias e data de início, sem que, para tanto, a população local tenha sido consultada. O planejamento foi feito às costas dos maiores afetados."

Em um seminário realizado recentemente pela organização Otros Mundos, o Professor León Enrique Ávila, da Universidade Intercultural Chiapas, expõe o seu ponto de vista sobre o "trem maia": “Significa uma destruição considerável da floresta tropical mexicana”, explica ele.

Rogelio Jiménez Pons, diretor do Fundo Nacional para o Desenvolviimento Turístico, por sua vez, divulgou que empresas como a canadense Bombardier, a francesa Alstom e a suíça Altstätten já foram escolhidas para a contração dos vagões do trem-maia.

O povo maia, já agora, é duramente afetado pela desapropriação de suas terras na Riviera maia, onde ficam os centros turísticos internacionais de Cancún, Cozumel, Majahual e Chetumal. A terra, alvo de especulação imobiliária, foi tomada dos lavradores para a construção de hotéis. Para isso, já foram destruídos milhares de hectares de florestas.

Nas redes sociais, ativistas mexicanos estão lançando os seguintes hashtags contra o megaprojeto:

#YoPrefieroLaSelva

#NoAlTrenMaya,

#YoPrefieroLasReservasDeLaBiosfera

#SalvemosElAmazonasMexicano

        Informações adicionais

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Carta

Para: Presidente do México, Andrés Manuel López Obrador

Exmo. Sr. Presidente López Obrador,

Já agora, a natureza no sul do México está ameçada pelo turismo internacional, pelas indústrias da monocultura de óleo de palma e soja, pela pecuária, desmatamento e comércio ilegal de animais. Isso afeta, ecológica e culturalmente, importantes áreas de proteção, bem como comunidades indígenas maias ou de lavradores.

A construção e o funcionamento do trem maia significa mais um ônus para o meio-ambiente, o qual prejudica o ecossistema e a biodiversidade da Selva Maia. Áreas tão relevantes, como essas áreas de proteção ambiental e os sítios arqueológicos dos maias precisam ser conservados a qualquer preço.

A necessidade do projeto, bem como a sua rota, precisa ser reexaminada, considerando que a afetação da Reserva da Biosfera Maia precisa ser evitada. Isto compreende também a realização de extensos estudos de impacto ambiental.

Também a desapropriação de terra e a aquisição de servidões de passagem, que afetam comunidades inteiras em toda a península de Yucatán, são duros golpes no corpo social local. Os moradores precisam manifestar sua concordância com o projeto, o que pressupõe que eles sejam extensa e exatamente informados sobre o projeto, tal como prevê a Convenção 189 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

As comunidades indígenas, conforme suas próprias palavras, não são contra o progresso, mas são contra megaprojetos que não lhes trazem vantagem alguma nem lhe proporcionam desenvolvimento regional.

Os países que melhor conservam a sua herança natural e cultural é que, amanhã, serão objetivos atraentes para o turismo.

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