É preciso acabar com a Plataforma para as Biomentiras!

Plantação de palmas de óleo (dendezeiros) com montanhas ao fundo Plantação de palmas de óleo para a produção de biocombustível onde, até recentemente, ainda havia floresta tropical (© HacKLeR/shutterstock.com)

20 países fundaram, em conjunto com a indústria, a chamada “Plataforma para o Biofuturo”. O objetivo é substituir o petróleo por matérias-primas renováveis para a produção de biocombustível, bioplástico e outros materiais orgânicos. Só que os efeitos da bioindústria ao ecossistema e à produção de alimentos são fatais.

Apelo

Para: Governos da Argentina, Brasil, Canadá, China, Dinamarca, Egito, Finlândia, França, Índia, Indonésia, Itália, Marrocos, Moçambique, Holanda, Paraguai, Filipinas, Suécia, Reino Unido, Estados Unidos da América

Recuse a “Plataforma para o Biofuturo” e exija soluções de verdade, como o menor consumo de matérias-primas, proteção do ecossistema e agricultura pró-natureza

Abrir a petição

Para impedir os piores efeitos da mudança do clima, governos precisam acabar já com o nosso excessivo consumo de energia e matérias-primas e proteger ecossistemas como os das florestas virgens, pois estas são os melhores reservatórios de carbono, e ainda, passar a usar energias renováveis. 10% do consumo global de energia já estão incluídos aí, com tendência a aumentar.

A queima da madeira e de outras biomassas já perfaz mais da metade das energias renováveis. Governos e organizações internacionais querem continuar impulsionando o consumo de biomassa para, com isso, formar uma nova “bioeconomia”. Iniciativas criadas para isso - como a Biofuture Platform - pretendem não apenas continuar impulsionando a queima de biomassa ("bioeenergia moderna“) como também querem produzir material sintético a partir de matéria prima agrária.

Serão necessárias quantidades monstruosas de madeira e plantas para a produção de energia. Satisfazer o excessivo e crescente consumo de energia com matérias-primas renováveis, infelizmente, não é uma solução pró-clima. Isso significa que as florestas da Terra seriam queimadas para que em seu antigo solo sejam cultivadas gigantescas monoculturas. Em resumo:

- Florestas e árvores são reservatórios de carbono no longo prazo – queimá-las causa emissões tão danosas para o clima quanto a queima do carvão;

- As plantações industriais necessitam de enormes áreas de terra – isto ameaça ecossistemas naturais, a biodiversidade, reservas de solo e de água, bem como acarreta graves conflitos sobre a posse da terra, e ainda, condições de trabalho desumanas;

- A bioeconomia absorve também os recursos que seriam necessários para tecnologias mais amigáveis ao meio-ambiente, como a energia solar e eólica.

Por favor, assine a petição de mais de 80 organizações ambientalistas de todo o mundo.

Mais informações

Mais informações, em inglês, sobre o tema “Bioenergia” e “Biomassa”, você encontra em:

Matérias-primas para bioenergia: http://www.biofuelwatch.org.uk/biomass-resources/resources-on-biomass/

https://www.birdlife.org/europe-and-central-asia/policy/bioenergy

Biocombustíveis: https://www.transportenvironment.org/node/2563/publications

https://fern.org/resources?f%5B0%5D=relevant_campaigns_resources%3A171

http://www.wwf.eu/what_we_do/climate/renewables/eu_bioenergy_policy/

Esta petição é uma iniciativa conjunta do grupo de trabalho Floresta, Clima e Energia de Biomassa da Environmental Paper Network. O grupo de trabalho é uma rede global de ativistas que tentam colocar as florestas e suas comunidades no centro da proteção do clima. Para isso, são organizadas sólidas, estratégicas e coordenadas campanhas dirigidas à economia da energia e da biomassa. Como comunidade de interesse global, nós desmascaramos as falsas alegações da indústria, segundo as quais a energia feita a partir de biomassa seria neutra para o clima, que todos os produtos de exploração florestas seriam renováveis e que a energia da biomassa seria uma solução para o aquecimento global.

Se você, como ONG ou outra organização da sociedade civil, deseja reunir-se a nós, faça contato, por favor, pelo e-mail peg.putt@gmail.com

Carta

Para: Governos da Argentina, Brasil, Canadá, China, Dinamarca, Egito, Finlândia, França, Índia, Indonésia, Itália, Marrocos, Moçambique, Holanda, Paraguai, Filipinas, Suécia, Reino Unido, Estados Unidos da América

20 nações, sob a liderança do Brasil, assinaram uma “Plataforma para o Biofuturo” (http://biofutureplatform.org), cujo objetivo é substituir a economia atualmente baseada em combustíveis fósseis por uma economia baseada em biocombustíveis, biomassa e outras plantas. Acabar com o uso de combustíveis fósseis é absolutamente necessário para a proteção do nosso planeta, mas a sua substituição por bioenergia não é a solução transitória que o mundo precisa. Muitos governos já estão forçando a expansão da bioenergia, seja queimando árvores para a produção de energia e calor, bem como produzindo biocombustíveis a partir de cana-de-acúcar, milho, óleo de palma e soja para veículos automotores.

Além disso, pretende-se que plantas úteis e árvores sejam usadas para a produção de materiais biossintéticos, bioquímicos e outros “bioprodutos”. Este desenvolvimento caracterizado como “bioeconomia” é falsamente apresentado como alternativa praticável, sustentável e pobre em carbono. Na realidade, suas consequências são desastrosas, tendo em vista a enorme demanda de terra e água necessárias para o cultivo das biomassas. Gigantescos territórios têm de ser explorados para essas culturas comercializáveis. Com isso, os ecossistemas naturais remanescentes ficam muito prejudicados e as pessoas que neles vivem sob a permanente ameaça de serem expulsas, perdendo sua base de sua existência. A bioeconomia baseia-se na falsa crença de que crescimento econômico e business as usual são harmonizáveis com o meio-ambiente e a proteção do clima, simplesmente substituindo os combustíveis fósseis por bioenergia.

A bioeconomia, na forma concepcionada pela Plataforma para o Biofuturo, é:

- Ruim para o clima: a Plataforma para o Biofuturo defende que se passe a usar bioenergia e biomateriais para a energia, transporte e indústria. Com isso, a plataforma ignora os efeitos já bem documentados criados pela demanda por matérias-primas vegetais e madeira industrial, que transformam tanto ecossistemas naturais como agropecuária não agressiva para a natureza em monoculturas industriais monótonas. Os cientistas, entretanto, já concordam que os biocombustíveis estão mais para aumentar as emissões de gases do efeito estufa do que para reduzi-los. A proteção e a regeneração de ecossistemas naturais, em comparação, é muito mais efetiva, já que estes não são harmonizáveis com a enorme demanda por plantas úteis e madeira gerada pela bioeconomia.

- Ruim para os direitos humanos: a enorme produção de biocombustíveis já levou, alhures, a enormes demanda por aquisição de terras, expulsões violentas, inibição da produção de alimentos e à fome gerada pela alta dos preços dos mantimentos. Com isso, também são feridos a soberania da alimentação, bem como os direitos das trabalhadoras e trabalhadores. A enorme demanda por terras destinadas à produção de biomassa para a mudança de nossa economia em uma bioeconomia agravaria dramaticamente estes efeitos.

- Ruim para a biodiversidade: florestas ricas em espécies e ecossistemas precisam ser desmatadas para liberar espaço para a produção de biomassa, como já é o caso da produção de biocombustíveis gerados a partir de milho, cana-de-acúcar, palma de óleo e soja. Para proteger a diversidade biológica, precisamos reduzir o uso de terras, água, fertilizantes e pesticidas em vez de aumentá-lo ainda mais.

- Ruim para soluções reais e efetivas: na visão da Plataforma do Biofuturo, ainda mais subvenções devem ser criadas para soluções de araque como é o caso do biocombustível. Com isso, bloqueiam-se investimentos em soluções reais e comprovadamente efetivas, que de fato seriam capazes de amenizar a catástrofe climática.
As organizações signatárias e as pessoas físicas convocam os 20 países e as organizações multilaterais que assinaram a Plataforma para o Biofuturo a retirar o apoio já dado. Outros governos envolvidos que ainda não assinaram a Plataforma não deveriam assiná-la. Reivindicamos, em vez disso, que os governos apresentem respostas sensatas e justas à crise climática, de modo que direitos humanos sejam respeitados e que se concentrem em tecnologias garantidamente pró-clima (isto é, tecnologias pobres em carbono), acabando-se com o consumo excessivo de energia e de matérias-primas, produzindo-se menos lixo e ainda, protegendo-se florestas e outros ecossistemas.

Você pode acessar a carta completa aqui: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfBzGakopXAx0N6qQ3Bl1AM_fI7AFrk2OnnZqNADQd1YM2EHQ/viewform

Esta petição está disponível, ainda, nas seguintes línguas:

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