Madeireiros fora da nossa floresta!

Criança indígena abraçando uma árvore Criança do grupo indígena Paiter Surui no Brasil

Com uma carta desesperada os indígenas Paiter Surui dirigem-se ao mundo: madeireiros ilegais armados e garimpeiros de ouro e diamantes invadem a floresta deles em massa. Abatem as árvores e ameaçam os habitantes. Exija do governo brasileiro que actue e que ponha fim ao desmatamento.

Carta

Para: Governo brasileiro, Presidente Michel Temer e Ministros responsáveis

O governo brasileiro deve proteger a floresta tropical e os indígenas Paiter Surui de madeireiros e garimpeiros imediatamente!

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Os Paiter Surui vivem num território de 250 mil hectares na floresta amazônica. Aqui uma versão resumida da carta original dos indígenas à opinião pública mundial:

Rondônia, Brasil, 13 de outubro de 2016

Eu sou Almir Narayamoga Surui, líder do povo indígena Surui. Nosso povo vive no estado de Rondônia no Brasil.

Esta é a minha chamada de alarme, por favor, ouça-me!

Desde o início deste ano de 2016, passamos por uma invasão total de madeireiros e garimpeiros de diamantes e ouro. Cada dia, 300 caminhões saem fora do nosso território preenchido com madeira, o que representa 600 hectares de florestas desmatadas. De acordo com a Constituição do Brasil, é ilegal para desmatar uma reserva indígena.  Encontramos mercúrio e cianeto em 3 rios do território Surui por causa dos garimpos!

As implicações são terríveis. Além de danos ambientais (e um desafio para nosso modo de vida), estas invasões estão colocando em perigo diretamente nossas famílias e nossos filhos. Na verdade, estamos sob a ameaça de armas de madeireiros e garimpeiros! Além disso, eles tentam subornar algumas pessoas de meu povo com dinheiro. A situação é terrível!

Apesar dos nossos apelos por ajuda contra esta máfia, o novo governo não reagiu. Por seu silêncio, eles são cúmplices silenciosos desta destruição da floresta e do nosso povo!

Nós não sabemos mais o que fazer, ajuda-nos!

Como cidadãos, ONGs ou instituições, você pode nos ajudar de 4 maneiras:

  1. Escrever às embaixadas brasileiras em seus próprios países por expressar sua indignação e pedir ao novo governo brasileiro para intervir rapidamente.

  2. Boicotar todos os produtos brasileiros.

  3. Instamos os vários órgãos políticos para estabelecer uma missão de observação internacional do desmatamento.

  4. Distribuir este apelo para todos os seus contatos no mundo e nas redes sociais.

Mais informações

Paiter Surui

Os Paiter Surui são um dos mais que 240 grupos indígenas no Brasil. O território deles fica no estado brasileiro de Rondônia, aproximadamente 30 quilômetros a norte da cidade de Cacoal.

Em 1969, os Paiter Surui até então isolados entraram em contato com o mundo “moderno”. Com o seu modo de vida tradicional e em sintonia com a natureza, os indígenas têm preservado o meio ambiente até hoje. Eles vivem da caça, da agricultura itinerante em parcelas pequenas, da pesca e da colheita de frutas, mel e plantas medicinais.

O desmatamento realizado por madeireiros, colonos, latifundiários e especuladores já destruiu vastas áreas da floresta amazônica em Rondônia. Onde ainda crescia uma mata virgem muito diversa há poucos anos, agora estendem-se pastos, canaviais, plantios de soja, aterros e áreas em erosão. Rondônia é o estado brasileiro com uma das taxas de desmatamento mais altas na Amazônia. A metade dos 200 mil quilômetros quadrados de floresta tropical já foi desmatada.

Hoje, a reserva indígena “Sete de Setembro” dos Paiter Surui com 250 mil hectares de tamanho é uma das últimas áreas de floresta tropical intacta em Rondônia, rodeada por áreas desmatadas, estradas e povoações.

Amir Surui, que tem 41 anos de idade, dedica a vida dele à conservação da floresta tropical. Ele era um dos primeiros membros do seu povo que estudou na universidade. Amir estabeleceu contatos em todo o mundo. Isto inclui também a cartografia e a medição do território. Aqui você pode aceder um artigo detalhado do Instituto Smitsonian “Rain Forest Rebel”.

Além disso, desde 2013 os Paiter Surui têm realizado um projeto REDD (Reducing Emissions from Deforestation and Forest Degradation). REDD é um conceito para a proteção do clima global que prevê o financiamento da conservação de florestas como reservatório de carbono. Os causadores de emissões com efeito de estufa pagam os proprietários de florestas para que estes preservem a natureza.

É discutível se o conceito ajude o clima global e as florestas. Alguns indígenas Paiter Surui lamentam que o seu projeto REDD+ com a empresa brasileira de cosméticos Natura provocou conflitos internos entre os membros da comunidade. Eles exigem uma terminação do projeto.

Afinal de contas, todos os esforços para a proteção da floresta tropical e a conservação do modo de vida deles falharam inevitavelmente se o Estado brasileiro não garantir o cumprimento da legislação. O governo e as autoridades ficam impassíveis perante a pilhagem das reservas indígenas por madeireiros, colonos e especuladores para a extração de recursos naturais do subsolo.

Mais informações

Petição

Para: Governo brasileiro, Presidente Michel Temer e Ministros responsáveis

Excelentíssimo Senhor Presidente Temer, excelentíssimos(as) Senhores(as) Ministros(as),

os indígenas Paiter Surui dirigiram-se à opinião pública com uma chamada de alarme desesperada. O território ancestral deles no estado de Rondônia tem sido pilhado desde meses por madeireiros ilegais armados e garimpeiros de ouro e diamantes.
Cada dia, 300 caminhões saem do terreno com madeira tropical. Os rios são poluídos com mercúrio e cianeto, os habitantes são ameaçados com armas.
“Apesar dos nossos apelos por ajuda contra esta máfia, o novo governo não reagiu. Por seu silêncio, eles são cúmplices silenciosos desta destruição da floresta e do nosso povo!”, escreve o líder dos indígenas no apelo.
Pedimo-lhes então em nome dos Paiter Surui e como cidadãos preocupados do mundo: não demorem em tomar todas as medidas necessárias para conservar os 250 mil hectares de floresta tropical dos Paiter Surui a longo prazo e para garantir os direitos e a sobrevivência dos habitantes.

Com os meus sinceros agradecimentos

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