Diga à ONU: Plantações não são florestas!

Uma plantação no Brasil para a produção de celulose Na opinião das Nações Unidas plantações de árvores sem valor ecológico são florestas (© World Rainforest Movement)
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Fim da petição: 15 de set. de 2016

Entrega das assinaturas à ONU no Congresso Florestal Mundial em Durban 2015. Juntamente com as nossas organizações parceiras, já estamos planejando a próxima ação. Não desistiremos até que a ONU modifique a sua definição de florestas!

Florestas são cheias de vida, o habitat de inúmeros animais e plantas e o espaço vital de milhões de pessoas. Plantações são nada disso, mas sim desertos verdes. Apesar disso, as Nações Unidas consideram tais monoculturas como florestas. Assim abrem a porta à destruição da natureza. Diga à ONU: plantações não são florestas.

Apelo

Para: o Secretário-Geral da FAO José Graziano da Silva e os Presidentes do Congresso Florestal Mundial Trevor Abrahams e Tina Vahanen

“A definição da ONU para florestas promove plantações industriais de árvores e contribui à destruição das florestas. Mas plantações não são florestas!”

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A visão das florestas da organização das NU para Alimentação e Agricultura FAO tem sido deformada por um erro fundamental: definem-se florestas simplesmente como cobertura de árvores.

Florestas tropicais são desmatadas e substituídas por plantações de borracha. Florestas moderadas e subtropicais com alta biodiversidade são arrancadas afim de abrir caminho para plantações de pinheiro ou eucalipto. Segundo a definição da FAO isto não conta como perda de floresta (no net deforestation). Quando savanas são destruídas ou a terra de pequenos agricultores é roubada e convertida em monoculturas florestais industriais, a FAO considera isso como reflorestação (afforestation).

A recusa da FAO de aceitar que florestas devem ser definidas pela sua diversidade biológica, social, cultural e spiritual, fomenta a extensão de vastas plantações de árvores em detrimento de comunidades locais, florestas verdadeiras e outros ecossistemas. Até plantações com eucaliptos geneticamente modificados são chamadas de “florestas”.

Assim, a FAO visa uma solução errada para combater as alterações climáticas, considerando a floresta exclusivamente como reservatório de carbono. Esta definição incorreta tem sido denunciada por ONGs, movimentos sociais e cientistas há muito tempo.

Em Setembro a FAO organiza o Congresso Florestal Mundial em Durban, uma reunião dominada pela indústria madeireira, que está orientada para o lucro. Ao mesmo tempo vai ter lugar o “Civil Society Alternative Program” como evento alternativo. Juntamente com ONGs e movimentos sociais de todo o mundo, Salve a Selva levanta a sua voz contra as razões verdadeiras e os responsáveis pela destruição das florestas.

Por favor, assine esta petição que vamos entregar ao Congresso Florestal Mundial das Nações Unidas.

Carta

Para: o Secretário-Geral da FAO José Graziano da Silva e os Presidentes do Congresso Florestal Mundial Trevor Abrahams e Tina Vahanen

Prezado senhor Secretário-Geral da FAO José Graziano da Silva,
prezado Trevor Abrahams, prezada Tina Vahanen,

a FAO define florestas como áreas de mais de 0,5 hectares das quais pelo menos 10 por cento estão cobertas de copas de árvores de mais de 5 metros de altitude.

Esta definição reduz as florestas à mera cobertura de árvores. Ela desrespeita a diversidade estrutural, funcional e biológica de árvores e outras espécies que formam uma floresta. Além disso, menospreza o significado cultural para comunidades que vivem em florestas.

A definição da FAO ajuda os interesses da indústria madeireira e dos operadores de plantações industriais de árvores para papel, celulose, borracha e agroenergia. Ela até permite que plantações de árvores geneticamente modificadas possam ser classificadas como “floresta”. A redução da floresta à sua função como reservatório de carbono possibilita que empresas possam fazer valer as plantações industriais como “florestas semeadas”. Assim, as empresas podem vender certificados de CO2 (carbon credits). Isto não é uma solução para as alterações climáticas, porque na transformação de florestas em plantações libertam-se grandes quantidades de carbono da vegetação e dos solos.

A extensão de monoculturas industriais de árvores, por exemplo de eucaliptos, pinheiros e acácias, é – de forma direta ou indireta – um motor central da destruição das florestas. Assim, ameaça-se a biodiversidade, acelera-se a mudança climática e destrói-se a base de vida de milhões de indígenas e outros povos que dependem da floresta. Segundo a FAO, 300 milhões de pessoas dependem diretamente da floresta para a subsistência deles.

A definição errada da FAO legitima e apoia todas essas evoluções devastadoras.

Nos seus princípios básicos a FAO chama-se a si próprio de uma organização que “lidera esforços internacionais para combater a fome”. Ao mesmo tempo, ela quer representar um “foro neutral” no qual as “nações se encontram em pé de igualdade”. Para cumprir esta pretensão, a FAO deve alterar a sua definição de floresta: de uma definição que reflete a perspectiva e as reivindicações da indústria de celulose, papel, madeira e borracha, a uma definição que sustenta os fatos ecológicos e a visão dos habitantes de florestas.

O processo de elaborar uma definição adequada para florestas tem que incluir eficazmente as pessoas que dependem diretamente de florestas e não deve ser dominado pela influência da indústria madeireira.

Durante o Congresso Florestal Mundial da FAO em Durban (África do Sul), uma amplia aliança de movimentos sociais, ONGs e ativistas pede à FAO e a outras instituições que formulem uma nova definição. Este processo tem que ser guiado por comunidades florestais.

Estamos convencidos de que a atual definição de florestas da FAO tem que ser modificada e que plantações já não devem ser definidas como florestas.

Com os melhores cumprimentos