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Aviões ecológicos?
A Lufthansa é uma das maiores e mais lucrativas empresas da aviação comercial, que pretende fortalecer sua posição no mercado e maximizar seus lucros. A companhia aérea anunciou que realizará nos próximos dois anos uma série de testes com agorcombustíveis. Até o ano de 2020, a companhia pretende misturar o combustível fóssil com cerca de até 10% de agrocombustíveis. Com um consumo anual de 7,7 milhões de toneladas de combustível para seus vôos (quantidade utilizada pela companhia no ano de 2009), a companhia irá precisar de até 770.000 toneladas de agrocombustíveis por ano – sem considerar o plano de crescimento da companhia aérea.
A Motivação para o uso do agrocombustível é econômica: o consumo de combustível representa 15% dos custos da companhia. Com o crescente aumento dos custos do petróleo, a companhia aérea vê nos agrocombustíveis uma possível alternativa para redução de seus custos. Alem disso, segundo o diretor geral Mayrhuber, se pretende lucrar através do mercado de carbono, por conta da redução do uso de combustíveis fósseis.
A partir de 2012, a União Européia incluirá as companhias aéreas no mercado de carbono (compra de certificados equivalente a contaminação do ar provocada). Atualmente a Lufthansa produz 24 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Com a mistura de agrocombustíveis, a Lufthansa melhoraria sua balança de CO2 e reduziria suas emissões, porém apenas nos papeis, pois o clima global terá poucos benefícios com esta falsa contabilização de carbonos.
A Lufhtansa afirma que a pré-condição para o uso dos agrocombustiveis é que estes devem ser adequados para a aviação, devem se encontrar em quantidades suficientes e a um preço aceitável.
Entretanto, a companhia aérea afirma em seu atual relatório de sustentabilidade(2010): ” A Lufthansa valoriza à garantia de que os combustíveis alternativos não exerçam competição com a produção de alimentos e que ofereçam benefícios comprovados para o meio ambiente”.
Mas este é exatamente o problema dos agrocombustíveis, e a Lufthansa não afirma como pretende garantir tais promessas. A companhia afirma apostar nas algas e nas chamadas plantas energéticas, como a Jatropha. Entretanto, o agrocombustível de algas ainda se encontra em sua primeira fase experimental, e a própria Lufthansa afirma que “ não se pode esperar quantidades significativas de combustível a base desta matéria prima nos próximos dez anos”.
Já o milagroso arbusto tropical jatropha , não rende na pratica a produtividade ideal, quando se é cultivada em solos pobres. O jatropha só apresenta uma produtividade rentável em solos férteis e mediante irrigação ou chuva abundante. Sendo assim, o jatropha compete diretamente com a produção de alimentos. Alem disso, segundo estudos científicos, para se produzir um litro de agrodiesel de jatropha é necessário 20.000 litros de água para seu cultivo.
A implementação das plantações de jatropha, assim como outros agrocombustíveis (óleo de palma, álcool da cana de açúcar…), gera a destruição direta ou indireta de ecossistemas naturai, assim como regiões de savana que são ricas em espécies e em carbono. A conversão destes ecossistemas em monoculturas acaba com a biodiversidade e aumenta o efeito estufa global devido a massiva liberação de carbono armazenado na vegetação e nos solos.
Pedimos que apóiem nossa campanha para acabar com os planos da Lufthansa de uso dos agrocombustíveis.