O dia 10 de Agosto é o ponto mais baixo duma longa tragédia: uma brigada de operações especiais da polícia e empregados de segurança da companhia de óleo de palma Wilmar assaltaram com niveladoras e armas de fogo o pequeno povoado Sungai Beruang que fica no meio duma plantação de óleo de palma de 400.000 ha de extensão. Os homens dispararam ao redor de si, feriram um homem gravemente e devastaram e saquearam 40 casas. Em pânico, os habitantes fugiram pelas plantações de óleo de palma para a floresta. Alguns deles ainda estão desaparecidos. Nem podem regressar porque a plantação completa está assediada pelos paramilitares. Ninguém pode sair, ninguém pode entrar. Nenhum jornalista deve publicar imagens da devastação.
“Eles não querem nenhumas testemunhas e nenhumas provas de sua violência“, diz Feri Irawan, chefe de nossa organização parceira Perkumpulan Hijau na província Jambi em Sumatra. Feria conseguiu tirar e mandar-nos fotos e vídeos da destruição e dos feridos. Ele apresentou-os também ao governo da província e à polícia e denunciou os soldados de Brimob.
A tragédia começou já em 1986 quando a companhia de óleo de palma Asiatic Persada desflorestou a selva para plantações de óleo de palma. A floresta era o terreno dos indígenas do povo dos Suku Anak Dalam. Eles entendem-se como homens da floresta, vagueavam como meio-nômades e viviam das frutas da floresta. Asiatic Persada recebeu a licença para 20.000 ha; mas entretanto a plantação é duas vezes maior – sem permissão. Desde 2006 a empresa pertence a Wilmar International, a companhia de óleo de palma maior do mundo.
Mas os autóctones não se deixaram expulsar. Construíram cabanas entre os dendês, plantaram árvores, borracha e até bougainvillea. E eles tentam sobreviver desde então. Com a ajuda de Feri Irawan os indígenas começaram a lutar contra a destruição de seu meio ambiente; eles apresentaram queixa e recolhem em sua necessidade as frutas de dendê para vendê-las a um moinho independente. Isso tornou-se fatal para os habitantes de Sungai Beruang em 10 de Agosto. A Zainal, um deles, os empregados de segurança de Asiatic Persada roubaram-lhe o caminhão juntamente com a carga.
A situação escalou, chamaram as brigadas móveis e atacaram com toda violência. “Os indígenas, aos quais pertence esta terra, devem ser expulsos definitivamente. Assim Wilmar pode expandir sem impedimentos“, diz Feri Irawan.
Ele pede-nos doações para as pessoas poderem reconstruir suas casas.